segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Tapa na Cara

Meu bisavô era um cara bravo por natureza, veio de fora, homem correto, gostou sempre de tudo direito em sua vida e esperava que seus filhos seguissem o mesmo caminho e estilo de vida que ele tinha...mas por esses mistérios da vida um dos seus filhos não veio do"jeito" que ele queria e isso resultou numa mágoa muito profunda entre ambos durante toda sua vida...eis que, no dia em que ele morreu, estavam todos no cemitério menos o filho que não gostava dele...estranhamente o dia ensolarado ficou cinza e começou a cair uma pequena garoa trazendo o friozinho tradicional de um final de tarde no bairro de Santana em São Paulo...para surpresa de todos nesse momento chega o filho que foi "descuidado" pelo pai durante anos...aproximando-se do caixão do pai ele sorriu estranhamente...um misto de dor e alívio...como se sentisse liberto naquela hora...todos em sua volta perceberam o fato e o retiraram do recinto para evitar maiores aborrecimentos...ele então caminhou pelo cemitério e parou mais a frente para fumar um cigarrinho...estava próximo das demais pessoas, bem a vista delas...acendeu seu cigarro e depois de algumas tragadas as pessoas ao seu redor viram ele caindo no chão e seus óculos voando...correram ao seu auxílio e encontraram-no desacordado...literalmente "nocauteado"...quando recobrou a consciência ele tinha seus óculos quebrados e um olho rocho para lembrar para sempre de não incomodar as pessoas que estão descansando, ou quem sabe meu bisavô só conseguiu expressar o seu real sentimento que tinha durante toda sua vida em relação ao seu filho e nunca conseguiu, já que nem falava com o mesmo durante sua passagem por aqui...

Um comentário:

Soutodoloko disse...

Muito bom. Agora farei pipi na cama. Hahahaha...
Depois quero contribuir com uma histório sobre sacis...